quarta-feira, 29 de junho de 2011

'eu sopro e tu materializas. -Pode ser?

quero fazer-te uma pergunta... - diz-lhe ela.
como é que eu sei que não me estou a projectar em ti?
somos um só! - responde-lhe ele.
a seguir. ele fica mais sério. e outra vez cheio de doçura.
só projectas se me quiseres encontrar fora de ti.
ela silencia. Agradece-lhe eternamente por haver alguém que lhe diz sempre a verdade e, mesmo assim, mesmo farta de saber que cai nisso vezes sem conta.
-não te culpes!  tratas-te tão mal...  Porque és tão exigente contigo própria?? se quase nunca, nem o és com os outros.
-Não serei?? - contigo, sou. extremamente exigente. Acho que é isso. e. isso não é amor...
mas é bom sentir uma voz iluminada a falar-me aqui de dentro! - responde-lhe ela.
-bom, de pouco ou nada serve a minha voz iluminada, a não ser que essa voz iluminada seja a tua própria voz, aquela quem tu realmente és. 
-Por vezes quero entender e não consigo. Parece que me baralhas mais. Mas também já não me irritas tanto da forma como me irritavas.
-O meu propósito não é fazer-te baralhar, nem te irritar. mas fazer-te questionar. é um questionar quase sem pensar. é um questionar que vem do sentir.
como queiras, és sempre tu que decides. mas uma coisa te digo. no entanto: ao mudares, os outros mudam.

grrrrr. ela irrita-se frequentemente com tamanha maturidade. existem coisas que ele espelha dela, que (ainda) a tiram do sério.
(ele continua). -tudo tem a ver com tudo, sunset. só estou aqui para te recordar.
-recordar o quê??- de que se eu mudar os outros mudam? -interroga ela
-sim. ou então não aguentam ver em ti o que ainda não conseguem ver neles. ou não querem. ou não sabem mudar neles  ou não estão preparados. e, nesse caso, vão-se embora. 

ela nestas partilhas sente-se a voar em círculos. dá voltas e mais voltas e chega  à conclusão que não saí do mesmo sítio.
-Estás outra vez a te auto-julgar. (diz-lhe ele: ao ler-lhe os pensamentos em voz alta) . Não te mal-trates. mima-te. se olhares bem para os teus círculos, hás-de ver neles o movimento das espirais. é certo que sobem e descem e que nada te garante que só subas, sem que tenhas de descer, uma e outra e, outra vez. mas já não estás onde estiveste. sobes cada vez mais alto, desces cada vez mais baixo. chama-se a isso consciência.
-achas que sim?
-não acho nada!  só estou aqui para te mostrar o que tu tão bem já sentes. 
-ômôdeus:  friend. love. sunshine.  -Achas que podemos dentro dessa espiral do sobe e do desce em que eu sou tu e, tu és eu. dividirmos a consciência: -eu sopro e tu materializas-. -pode ser? 
-Nop, sunset. ... A consciencia é uma só.


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