Chega a casa e atira-se em voo para o sofá. confessa-se exausta e (quase) louca.
Ele olha-a e permanece em silêncio. Vai para a cozinha. Fazer aquilo que já fez centenas de vezes: cozinhar.
Descasca as cebolas. as cenouras. o alho francês, fita-a nos olhos e:
- sinto-me feliz, em paz …
Ela chega-se. permaneceram em silêncio a olhar para a cebola.
Surpresa, nunca tinha visto uma cebola …
Aquelas curvas perfeitamente espiraladas. a suavidade da forma. o brilho da lua através da janela trespassava o suave branco. Teve a sensação de estar a observar a Sainte-Chapelle, aqueles anéis perfeitamente
ajustados dos vitrais góticos da capela Francesa.
e foi sucedendo, ao olhar para o alho, as cenouras, a beterraba, courgettes ...
-Como é possível?? Eu sei que neste lugar, aqui, tudo é mágico.
Mas tão mágico, é (quase) impossível. -O que me fazes??
ao teu lado tudo me causa espanto...

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