segunda-feira, 5 de setembro de 2011

'Trimmm…… Trimmm …

-quem é ?
-És tu.
-eu?
-sim. eu, tu!
-mas eu não sei quem sou …
-então, se não és ninguém como me ouves tocar? Se calhar, és alguém …
-Serei?
-Claro que és. és uma presença. Um nada cheio de tudo.

-Não estou a entender … 

mas se for, já aqui estou, ou nunca deixei de estar ...

Se sou o nada, como posso existir? como posso estar aqui, ali, e acolá?

-Para conseguires descobrir que te podes libertar do que não-és.

-e o que é, que eu, não sou?

-não és a ilusão. Mas também não és aquilo que pensas que és. e muito menos aquilo que os outros pensam ou esperam que sejas, aprisionada a um só lugar feito para te iludir …

-Estou baralhada, Sunset. Se não sou o que imagino ser, mas também sou. não sou uma ilusão. Sou real. e se eu, sou tu, porque me dizes sempre que só há, UM ?

-E és. Um conjunto de ti-mesma. Vou-te propor o seguinte:

Faz um favor a ti-própria, entra, e não fiques à porta …

( always, love u )





2 comentários:

Duarte disse...

Quando durmo por vezes sonho. Raramente estou só nos meus sonhos e raramente sou aquele que aqui pareço ser este. Ainda assim, enquanto sonho, tudo me parece tão real: eu vejo, eu ouço, eu sinto, chega a ser atraente, deveras assustador, quase sempre um pouco louco mas só depois de despertar. Um segundo antes e o sonho era a minha realidade.
Quando desperto não fico a olhar para trás, não choro o meu personagem nem visto o luto pelas pessoas imaginárias que entretanto se foram para sempre.
Os sonhos não me perseguem durante o dia: não ando por aí a questionar os amigos que possam lá ter entrado pelas coisas que possam ter dito, nem confronto as mulheres que se deixaram tocar por um desejo escondido. Apesar de haver sempre um que me está mais próximo, no meu sonho eu estou por detrás de todos os personagens. Não há mais ninguém.
Despertar dos sonhos é fácil, talvez menos fácil se o sonho é húmido, porventura um alívio quando o sonho se transforma num pesadelo. Segundos depois, os sonhos perdem-se para sempre.
Os sonhos da noite são uma réplica dos sonhos de vida. Viver é sonhar lúcido e isso traz um problema acrescido. Tu que estás a sonhar, convencido que és um dos personagens, podes decidir não despertar. Está bem que mal despertes um outro estará à tua espera, mas é um outro totalmente desconhecido, um outro que até pode ser tudo, o Todo, Deus ou o filho, não importa. Tu suspeitas que não é este que pensas ser agora. A mera suspeita de despertar pode aterrorizar qualquer personagem deste sonho à escala cósmica e faze-la decretar um estado de guerra. Sendo verdade que a ideia de unidade é uma imagem bonita, também pode ser uma perspectiva de solidão para quem entretanto se deixou seduzir pelo sonho da multiplicação. Os céus azuis, a lua, a brisa fresca à beira mar, são ingredientes do sonho. Eles só existem aqui.
Este que sonha, esta mente que imagina um universo aparte, um multiverso, esta mente fragmentada, este vidro de pára brisas estilhaçado em biliões e biliões de partes, ele sonha o exílio e está convencido que é cada um de nós. Eu e tu e todos os outros que parecemos andar por aí, nós somos os seus personagens. Sempre que um de nós desperta, é Ele quem desperta de nós. Claro que nós somos ele, mas ainda não sabemos, nem ele sabe, convencido que está de ser cada um de nós. Na mente esquizofrénica da qual todos fazemos parte habita um medo aterrador: a suspeita de que o Universo deixe de existir. Nós encenamos o seu medo, mas também encenaremos o seu acordar.
Sempre que um de nós parece ter vontade de despertar, de correr para a luz, foi ele, o nosso verdadeiro Ser que ouviu o despertador.
Amo-te.

Maggie Gonçalves disse...

gosto mesmo, mesmo de voar a teu lado ♥