quinta-feira, 24 de novembro de 2011

'Casar-me comigo e prometer que serei minha, para toda a eternidade♥


Nunca me cheguei a casar. mas deixei por duas vezes alguém(ens) à espera no altar.
Tudo pronto, tudo marcado, tudo convidado. Capela, acólitos, mar, família, amigos.
Engraçado, agora sei, que o abandono não foi a ninguém, a não ser a mim própria.
Devo ter esquecido, simplesmente, de enviar o convite. e muito menos ter querido saber a resposta.
 Depois deste capítulo tenho andado embrulhada até à medula em processos intensos, que me têm guiado até às entranhas do Ser. talvez um dia,  os materialize,  (os que faltam) por aqui.

Desde que saí da cidade, tudo tem vindo, intensamente,  ao meu encontro.
Hoje,  foi este casamento. ainda que me ande a divorciar, já me ando a casar. delicadamente.
Já diz o proverbio,  " à terceira, é de vez", eu sei,  desta vez sei,  é para todo o sempre ... amén.

Obrigada ~Inês Barros Baptista, por  materializares nestas maravilhosas linhas,  esta integração~casamento,  tão minha, também.

ando a casar-me

estranha, a expressão? admito que sim. é mais comum ouvir-se dizer 'vou casar-me', 'casei-me', 'sou casada'... mas 'ando a casar-me'? a verdade é que ando. a tentar, pelo menos, que isto de um casamento tem tanto que se lhe diga, tantas voltas e reviravoltas, tantas esquinas e contratempos e, ao mesmo tempo, tantas potencialidades!... a minha sorte é que, desta vez, nenhum noivo espera por mim no altar e o anel que trago no dedo, apesar de ter sido oferecido, foi na condição de ser capaz de assumir um compromisso comigo. é de prata, mas podia ser de latão,  de cobre, de arame ou de outra substância qualquer, já que o mais importante é conseguir 'consubstanciar' corpo e espírito, no sentido mais íntimo, e quase biblíco, do termo: como a presença de Cristo, na Santíssima Trindade, sendo ela mesma. 

pois é, ando a casar-me comigo e a fazer por prometer-me fidelidade, nem sequer até ao fim dos meus dias, mas por toda a eternidade. a jurar amar-me e honrar-me, nas condições favoráveis, mas também nas adversas e a retirar, um a um, todos os véus com que as noivas tapam a cara  e enfeitam cabelos e que, na maior parte dos casos, as deixam às cegas, ou então apenas permitem que vejam o mundo através dos buraquinhos do tule...

não é fácil, creio que é até mais difícil casarmos connosco do que com outro. é muito mais complicado deitarmo-nos todas as noites e sermos capazes de nos abraçarmos sem nenhuma distância ou reserva, mesmo que pareça mais simples ter os braços do outro à nossa espera na cama. é muito mais verdadeiro, embora mais duro, exigirmos de nós fidelidade ao que somos, em vez de andar a morrer de ciúmes com as mentiras e as infidelidades do outro. é muito mais justo dizer 'amo-me' do que andar a cobrar a injustiça de o outro nunca dizer 'amo-te'. é fundamental, é visceral,  eu diria, casar-me comigo, para que um dia, então, me case com outro ... ♥ (continua, aqui)

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